Cantinho feito para ARABEL...


02/12/2006


Vejo a sombra caminhando solícita
Em busca de repasto para o seu véu escuro.
Desbrava imberbe a terra adormecida
Não reconhece barreira, buraco, muro.

Esta sombra se alarga e margeia
A planície segura do descanso costumeiro
Seu véu sorrateiro se estende, norteia,
A pouca sanidade do nobre guerreiro.

Inquieta-se insolente esta sombra arredia
Espalha-se em torrente sobre planaltos além
À vista do bravo que arma não tem...

Pois que somente com luz se alivia
As sombras escuras dos medos latentes
Que assolam, certeiros e dolentes.

José Paulo

Escrito por Marcos C. L. Mello às 11h09
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Todos os anseios do gostar são fabulosos.
Nos transformam por inteiro,
São como verdadeiros estimulantes.
Fazem nosso coração bater mais rápido,
Nosso corpo trabalhar com mais afinco,
Nossa respiração mais profunda,
Nosso raciocínio mais claro e sagaz
E nossa vida ainda mais produtiva.
Porque trazemos conosco a todo o momento
O "objeto" do nosso amor.
O ser que, com simplicidade,
Entrou em nosso coração sem precisar bater na porta,
Encantou nossa alma sem lançar feitiços,
Conquistou-nos o espírito
Sem necessidade de batalhas
E traz consigo o poder de nos animar
A qualquer hora da vida,
A qualquer minuto obtuso de nossa existência

Escrito por Marcos C. L. Mello às 11h08
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30/11/2006


Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

Fernando Pessoa

Escrito por Marcos C. L. Mello às 10h43
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Namorado: ter ou não, é uma questão

 

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. difícil porque namorado de verdade é muito raro. necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.

Paquera, gabiru, flerte, caso, envolvimento, até paixão é fácil, mas namorado mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida, ou bandoleira: Basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado não é quem não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduiche de padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinicius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhar quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.


Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.


Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'agua, show do Milton Nascimento, bosque enluarado, ruas de sonhos ou musicais da metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de o seu bem ser paquerado.

Não tem namorado quem ama sem gostar, quem gosta sem curtir, quem curte sem aprofundar.

Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim-de-semana, na madrugada ou no meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações;

Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a roupa mais leve e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fadas. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça.

Carlos Drummond de Andrade

Escrito por Marcos C. L. Mello às 10h41
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"Arrependimento"

Autor: Mark Twain

Buscar na Web "Mark Twain"

Daqui a alguns anos você estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez. Então solte as amarras. Afaste-se do porto seguro. Agarre o vento em suas velas. Explore. Sonhe. Descubra

Categoria: Citação
Escrito por Marcos C. L. Mello às 10h38
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"Perda"

Autor: Autor desconhecido

Buscar na Web "Autor desconhecido"

Quando se perde riqueza, nada se perde; quando se perde saúde, perde-se muito; quando se perde o caráter, perde-se tudo.

Categoria: Citação
Escrito por Marcos C. L. Mello às 10h35
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"Caminhada"

Autor: Cora Coralina

Buscar na Web "Cora Coralina "

O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada, Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.

Categoria: Citação
Escrito por Marcos C. L. Mello às 10h34
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28/11/2006


Olhos nos olhos

Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando
Me pego cantando
Sem mas nem porque
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você

Quando talvez precisar de mim
'Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos, quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz

(Chico Buarque de Holanda)

Escrito por Marcos C. L. Mello às 22h19
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Soneto da Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do amor encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure


(Vinícius de Moraes )

Escrito por Marcos C. L. Mello às 22h15
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Não chore lágrimas de desespero,
Quando o teu sorriso pode iluminar multidões;
Não desperdice momentos lamentando,
Quando a esperança pode animar corações.

Não se entregue ao desânimo constrangedor,
Quando continuar andando é o melhor estímulo;
Não se perca entre indecisões inúteis,
Quando a certeza pode acender uma luz em teu canto escuro.

Não te mortalizes por não entender,
Quando o sentir já é deveras importante;
Não te apresses em tirar conclusões,
Quando o conhecer gradual é o mais relevante.

Escrito por Marcos C. L. Mello às 22h14
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27/11/2006


METADE

 

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.
Quer as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
pois metade de mim é o que ouço
a outra metade é o que calo.
Que a minha vontade de ir embora
se transforme na calma e paz que mereço
que a tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
a outra metade um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
pois metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o seu silêncio me fale cada vez mais
pois metade de mim é abrigo
a outra metade é cansaço.
Que a arte me aponte uma resposta
mesmo que ela mesma não saiba
e que ninguém a tente complicar
pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
pois metade de mim é platéia
a outra metade é canção.
Que a minha loucura seja perdoada
pois metade de mim é amor
e a outra metade também.

(Osvaldo Montenegro)

Escrito por Marcos C. L. Mello às 22h59
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26/11/2006


Escrito por Marcos C. L. Mello às 14h39
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Eu sou essa música
que ouves em surdina
nas máquinas do tempo.
Eu sou esse perfume
finado, mas vivo
que o vento trouxe
para reanimar a tua memória.
Sou a beleza sonhada
da nossa história
que não foi vivenciada
pelos nossos sentidos.
Eu sou essa alma sozinha
que baila no vento
à espera de abraços...
Sou música em surdina,
sou perfume e beleza no espaço,
sou teu sonho mais lindo de outrora
que agora te chama
em forma de rima...
Vem comigo, o sonho recordar
e se a música te anima,
o vento te ensina:
- Aprende a amar!


Escrito por Marcos C. L. Mello às 14h38
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